Trabalho em Domingos e Feriados no Comércio: O que muda até 2026 e como sua empresa deve se preparar
- Larissa Marcomini da Silva
- há 1 hora
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A organização do trabalho em domingos e feriados sempre exigiu atenção das empresas, especialmente no comércio varejista. Nos últimos anos, alterações normativas trouxeram novas exigências, principalmente quanto à necessidade de autorização coletiva e observância de legislações municipais.
Recentemente, houve a prorrogação do início dessas mudanças para 26 de maio de 2026, o que amplia o prazo de adaptação das empresas, mas não elimina a necessidade de planejamento imediato.
Essa prorrogação impacta diretamente empresas que operam com escalas contínuas, especialmente aquelas que dependem do funcionamento em finais de semana e feriados para manter faturamento e competitividade.
Quando o trabalho em domingos e feriados é permitido
A legislação trabalhista admite o trabalho nesses dias, desde que observados critérios específicos:
✔ Situações permitidas
Atividades com necessidade contínua por razões técnicas ou operacionais
Empresas autorizadas permanentemente para funcionamento
Situações excepcionais, como serviços inadiáveis ou risco de prejuízo relevante
✔ Comércio em geral: regras específicas
Para empresas do comércio, existem exigências adicionais:
Necessidade de previsão em convenção coletiva de trabalho
Observância da legislação municipal
Organização de escala de revezamento
Garantia de descanso periódico aos domingos
Essa combinação de requisitos torna a gestão mais complexa, exigindo alinhamento entre jurídico, RH e operação.
Escalas de trabalho: o ponto crítico da gestão
A escala de revezamento não é apenas uma formalidade — ela é um dos principais pontos de fiscalização.
Regras essenciais:
Máximo de 6 dias consecutivos de trabalho
Concessão obrigatória de 1 dia de descanso
No comércio, o descanso deve coincidir com o domingo:
Pelo menos 1 vez a cada 3 semanas
Para mulheres, a cada 15 dias
Além disso, deve-se respeitar:
24 horas de descanso semanal
11 horas entre jornadas
Totalizando um intervalo mínimo de 35 horas consecutivas
A ausência de controle adequado pode gerar autuações e passivos trabalhistas relevantes.
Pagamento em dobro e reflexos na folha
Quando o trabalho em domingos e feriados não é compensado com folga, surge um impacto direto na folha de pagamento.
Como funciona o pagamento:
Remuneração em dobro pelas horas trabalhadas
Manutenção do descanso já incorporado ao salário
Exemplo:
Salário mensal: R$ 2.882,00
8 horas trabalhadas em feriado
Valor adicional aproximado: R$ 209,60
Total do mês: R$ 3.091,60
Além disso, esses valores:
Integram a base de encargos (INSS, FGTS e IRRF)
Podem impactar férias, 13º salário e verbas rescisórias
Impactos operacionais e riscos para a empresa
A falta de alinhamento com as regras pode gerar consequências relevantes:
⚠ Riscos trabalhistas
Pagamentos retroativos em dobro
Questionamentos judiciais sobre escalas
Multas administrativas
⚠ Impactos financeiros
Aumento inesperado da folha
Reflexos em encargos e provisões
⚠ Riscos de governança
Inconsistência entre contrato, prática e folha
Falhas em auditorias internas ou externas
Empresas que cresceram rapidamente após sair do Simples Nacional tendem a enfrentar esses desafios com maior intensidade, especialmente pela complexidade operacional.
Como se preparar para 2026
A prorrogação do prazo não deve ser interpretada como adiamento de decisões, mas como oportunidade de estruturação.
Recomendações práticas:
1. Revisar contratos e convenções coletivas
Verifique se há autorização expressa para trabalho em domingos e feriados.
2. Validar a legislação municipal aplicável
Cada município pode impor restrições específicas ao funcionamento do comércio.
3. Estruturar escalas de revezamento auditáveis
Formalize e documente as escalas, garantindo rastreabilidade.
4. Revisar a folha de pagamento
Assegure o correto cálculo de:
RSR
Horas extras
Reflexos trabalhistas
5. Integrar áreas internas
RH, fiscal e jurídico devem atuar de forma coordenada.
Risco controlado ou passivo anunciado
O trabalho em domingos e feriados deixou de ser apenas uma decisão operacional e passou a ser um tema estratégico.
Empresas que tratam o tema de forma estruturada conseguem:
Reduzir riscos trabalhistas
Controlar custos com previsibilidade
Sustentar operações contínuas com segurança
Por outro lado, a ausência de planejamento pode transformar rotinas operacionais em passivos relevantes.


